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Quantos dias o HD do condomínio grava? A conta que vem antes da compra do disco

Um disco de gravação desenhado como uma faixa de dias: o vídeo novo entra por um lado e o dia mais antigo é sobrescrito do outro

Resposta curta

Os dias de gravação são a capacidade útil do disco dividida pelo consumo diário de todas as câmeras. Em gravação contínua, cada 1 Mb/s de taxa média ocupa 10,8 GB por dia (1 Mb/s × 86 400 s ÷ 8). Dez câmeras a 4 Mb/s enchem cerca de 13 TB em 30 dias.

O número de catálogo quase sempre erra, porque a taxa real varia com a cena, com a noite e com o movimento; ela só se conhece medindo um dia inteiro no local. E a ordem da conta é a inversa da usual: primeiro o condomínio decide por quanto tempo precisa guardar, depois dimensiona o disco para esse prazo.

Neste texto
  1. Como se calcula quantos dias um HD de CFTV grava?
  2. Por que a taxa do catálogo não é a do seu condomínio?
  3. O H.265 dobra os dias de gravação?
  4. O disco de 4 TB não tem 4 TB para o gravador
  5. Gravar só por movimento resolve?
  6. A conta certa começa pelo prazo, não pelo disco

Como se calcula quantos dias um HD de CFTV grava?

Com uma multiplicação e uma divisão. Cada câmera entrega um fluxo de vídeo com uma taxa de bits, medida em megabits por segundo (Mb/s). Um dia tem 86 400 segundos, e um byte tem 8 bits. Logo, 1 Mb/s contínuo durante um dia são 86 400 megabits, ou 10,8 GB.

Some a taxa média de todas as câmeras, multiplique por 10,8 e você tem os gigabytes por dia do sistema. Divida a capacidade útil do disco por esse número e você tem os dias até o gravador começar a sobrescrever o dia mais antigo. É a mesma conta que as calculadoras de fabricante fazem por trás da tela.

Espaço ocupado em gravação contínua, por taxa média. Conta aritmética em unidades decimais (1 GB = 10⁹ bytes, 1 TB = 10¹² bytes); as taxas são hipotéticas e servem para mostrar a proporção, não para representar uma câmera específica.
Taxa média por câmeraPor câmera, por dia10 câmeras, 30 dias10 câmeras, 90 dias
1 Mb/s10,8 GB3,24 TB9,72 TB
2 Mb/s21,6 GB6,48 TB19,44 TB
4 Mb/s43,2 GB12,96 TB38,88 TB
8 Mb/s86,4 GB25,92 TB77,76 TB

A tabela mostra o que importa: a conta é linear. Dobrar a taxa média dobra o disco; dobrar o prazo também. Não há economia de escala escondida em lugar nenhum. Toda a dificuldade está em saber qual é a taxa média de verdade.

Gráfico de barras com o espaço diário por câmera a 1, 2, 4 e 8 Mb/s: 10,8, 21,6, 43,2 e 86,4 GB, e o total de dez câmeras em 30 dias
Linear e sem desconto. O espaço cresce na mesma proporção da taxa média; a decisão difícil é descobrir essa taxa, não fazer a conta.

Por que a taxa do catálogo não é a do seu condomínio?

Porque a taxa de bits não é uma propriedade da câmera. É uma propriedade da câmera diante de uma cena. O codec gasta bits com o que muda de um quadro para o outro: árvore balançando, chuva, faróis, gente passando. Uma garagem vazia de madrugada e a mesma garagem às 18h geram fluxos muito diferentes com a mesma configuração.

O white paper da Axis sobre controle de taxa descreve o efeito com franqueza. No modo de taxa variável (VBR), a imagem mantém a qualidade, mas a necessidade de armazenamento fica imprevisível: movimento e eventos na cena fazem a taxa subir bastante, e o sistema precisa de margem grande de disco para isso. A mesma fonte lista a noite como fator: tempo máximo de obturador e ganho máximo mudam o ruído da imagem, e ruído é informação que o codec tenta preservar.

O modo de taxa máxima (MBR) resolve o problema oposto e cria outro. Ele segura a taxa abaixo de um teto comprimindo mais quando a cena complica, sem olhar para o efeito na imagem. A Axis observa que esse teto costuma vir de fábrica muito baixo, e que muitas ferramentas de cálculo de armazenamento partem dele. O resultado é um disco que parece suficiente no papel e um vídeo que perde detalhe justamente no momento de movimento, que é o momento que alguém vai procurar.

A consequência prática é uma só: meça. Configure as câmeras como vão ficar e registre a taxa real por pelo menos 24 horas, incluindo a noite e o horário de pico. Use a média desse dia na conta, e dimensione a margem pelo pico, não pela média.

O H.265 dobra os dias de gravação?

Em laboratório, chega perto. O H.265, também chamado de codificação de vídeo de alta eficiência (HEVC), foi projetado para entregar a mesma qualidade do H.264 com cerca de metade da taxa. Um teste subjetivo do instituto de telecomunicações do governo americano (NTIA), com 20 cenas em 1080p, confirmou a regra: o H.265 à metade da taxa ficou igual ou melhor que o H.264 em três de quatro comparações.

O mesmo estudo traz a ressalva que interessa ao condomínio. A eficiência muda muito com o tipo de conteúdo: a 4 Mb/s em H.265, as notas das 20 cenas se espalharam por 38% da escala de qualidade. E a Axis registrou, em 2023, que o H.265 ainda não tinha sido amplamente adotado em vigilância, por complexidade, desempenho limitado em pouca luz e questões de licenciamento.

Então trate o H.265 como um ganho provável a confirmar, não como o dobro garantido. E confira que câmera, gravador e software de reprodução estão todos de fato nesse codec: basta um elo em H.264 para a conta voltar à taxa antiga.

O disco de 4 TB não tem 4 TB para o gravador

Fabricante de disco usa prefixo decimal: 1 TB são 10¹² bytes. Muitos sistemas operacionais e gravadores mostram a capacidade em prefixo binário, em que o “tera” vale 2⁴⁰ bytes, o tebibyte (TiB) padronizado pela IEC. Pela tabela do NIST, a diferença é de cerca de 9%: um disco de 4 TB aparece como aproximadamente 3,64 TiB.

Não é defeito nem perda: é a mesma quantidade de bytes contada em outra unidade. Mas quem calcula dias com o número da etiqueta e confere com o número da tela encontra uma diferença que parece sumiço. Some a isso o espaço que o sistema de arquivos e o próprio gravador reservam, e a regra segura é fazer a conta em bytes e deixar folga explícita.

Gravar só por movimento resolve?

Resolve o disco e cria uma dependência. Gravação por evento só guarda o que o detector de movimento disparou. Se ele dispara demais, com sombra, chuva ou farol, o disco enche quase como em gravação contínua. Se dispara de menos, o trecho que alguém vai procurar simplesmente não existe.

Por isso a economia da gravação por movimento não tem número de catálogo honesto: ela depende de quanto a cena se mexe e de quão bem o detector foi ajustado. Tratamos as causas desse disparo errado em as causas reais de falso positivo em CFTV com IA. Na via de circulação e na portaria, onde a pergunta costuma ser “o que aconteceu às 19h12”, a gravação contínua ainda é a que menos surpreende.

A conta certa começa pelo prazo, não pelo disco

Na maior parte dos condomínios o prazo de guarda é, na prática, “o que couber no HD”. Ele muda sozinho a cada câmera instalada e a cada troca de configuração. Ninguém decidiu: aconteceu.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018) pede o caminho contrário. O princípio da necessidade limita o tratamento “ao mínimo necessário para a realização de suas finalidades” (art. 6º, III). O tratamento termina quando os dados deixam de ser necessários à finalidade (art. 15, I), e aí eles devem ser eliminados, com exceções restritas (art. 16). A lei não fixa um número de dias para CFTV; ela exige que o prazo derive de uma finalidade declarada. Detalhamos isso em câmeras do condomínio: quem pode ver as imagens e por quanto tempo.

A sequência que fecha é esta. Primeiro, o condomínio decide o prazo e o motivo. Segundo, mede a taxa real de cada câmera por um dia inteiro. Terceiro, multiplica, soma a margem do pico e compra o disco. Quarto, confere depois de algumas semanas se o gravador de fato guarda o prazo decidido, e se o dia mais antigo é apagado quando o prazo vence. Disco maior do que o prazo pede não é segurança extra: é mais imagem exposta num vazamento.

Um último detalhe, que costuma aparecer só no dia em que alguém precisa do vídeo: guardar o arquivo não basta se a hora gravada estiver errada. Esse é o assunto de o relógio da câmera.

O que este texto não afirma

Não informa a taxa de bits de nenhuma câmera ou modelo. Os valores da tabela são hipotéticos e servem para mostrar a proporção; a taxa real só se conhece medindo no local.

Não afirma que o H.265 dobre os dias em qualquer instalação. O resultado citado vem de teste subjetivo com cenas de 1080p, e a própria fonte mostra variação grande entre tipos de conteúdo.

Não estabelece prazo de guarda. A LGPD não fixa número de dias para CFTV, e o prazo adequado depende da finalidade declarada por cada condomínio. Não é parecer jurídico.

Fontes

  1. Axis Communications. Bitrate control for IP video, white paper, março de 2023. whitepapers.axis.com/en-us/bitrate-control-for-ip-video Origem da imprevisibilidade de armazenamento em VBR e da necessidade de margem, do comportamento do MBR e do teto de fábrica baixo usado por ferramentas de cálculo, dos parâmetros noturnos que afetam o ruído e a taxa, e da observação sobre a adoção limitada do H.265 em vigilância. Consultado em 28 de setembro de 2026.
  2. Catellier, A.; Pinson, M. / NTIA, Institute for Telecommunication Sciences. Characterization of the HEVC Coding Efficiency Advance Using 20 Scenes, ITU-T Rec. P.913 Compliant Subjective Methods, VQM, and PSNR, IEEE ISM, 2015. its.ntia.gov/publications/download/2015_IEEE_ISM_catellier.pdf Origem do resultado de H.265 à metade da taxa igual ou melhor que H.264 em três de quatro comparações, das 20 cenas em 1080p e da dispersão de 38% da escala a 4 Mb/s. Consultado em 28 de setembro de 2026.
  3. NIST. Definitions of the SI units: The binary prefixes. physics.nist.gov/cuu/Units/binary.html Origem da definição de prefixos binários (tebi = 2⁴⁰) aprovados pela IEC e da prática de fabricantes de armazenamento usarem prefixo decimal. Consultado em 28 de setembro de 2026.
  4. Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, texto compilado. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709compilado.htm Origem do princípio da necessidade (art. 6º, III), do término do tratamento (art. 15, I) e da eliminação dos dados (art. 16). Consultado em 28 de setembro de 2026.
Juliano Baladão Engenharia do OpenRadar — medição de velocidade por vídeo e evidência auditável em via privada.
Sobre o OpenRadar

O gravador do condomínio continua sendo do condomínio, com o prazo que ele decidir. O que nós produzimos é outra coisa: cada medição de velocidade vira um registro próprio, com fotos e hash SHA-256 de integridade, que não depende de o gravador ainda ter aquele dia no disco.

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